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14 de dezembro de 2009

Cronicantiga por Teresa Cristina Telarolli

NÃO TÔ VENDO NADA...

Teresa Cristina Telarolli
teiu@uol.com.br


É interessante como algumas histórias simplesmente se repetem, mudando apenas os personagens; cada um acha que o seu caso é único, mas basta começar a contar para um amigo, que logo a pessoa conhece fatos similares. Estou pensando, agora, nas histórias de quem usa óculos e todas as aventuras e desventuras que nos acompanham nesta jornada dos “quatro olhos” – quando eu era criança falavam em cinco, mas esta é meio chula para este espaço familiar...
Eu não sou exatamente cegueta e comecei a usar óculos na adolescência, por causa de um astigmatismo chato, herdado da família da minha mãe onde todos os tios tinham o mesmo problema. De qualquer forma, é um problema que me obriga a usar os óculos quando tenho de ler, sejam livros, cinema, lousa, etc. Eu até consigo não usar as lentes, mas fico com os olhos cansados, irritados e pareço uma chinesa, apertando os olhos para enxergar melhor. Me conformei e uso-os na maior parte do tempo, principalmente neste último ano, quando meu braço começou a ficar curto e o papel tem de ficar cada vez mais longe para que eu consiga ler – não adianta, quando a gente chega nos “enta”, tudo vai ficando mais difícil.
Mas o meu caso nunca foi de uma dependência dramática, daquelas que a pessoa fica incapacitada sem os óculos; tenho um primo que usava mais de 10 graus por causa da miopia e, certa vez, perdeu os óculos na praia: contam que foi uma tragédia, pois ele simplesmente não conseguia aproveitar mais nada do passeio, sempre dependendo dos amigos para fazer as mínimas coisas. Voltou para casa, abandonou o medo e em pouco tempo fez a cirurgia – ganhou vida nova, auto-estima e segurança.
Uma amiga da minha tia, no exterior, também perdeu seus óculos em uma ilha; cegueta de todo, contou com a ajuda de parentes e amigos para procurar a bendita muleta, mas não houve jeito. Por sorte, encontrou alguns similares nestas farmácias que vendem óculos e já comprou três pares, dos quais perdeu um logo de cara. Vamos ver se consegue retornar ao Brasil com pelo menos um par, para resgatar a bagagem no aeroporto.
Meu pai, até se convencer a usar aquelas correntinhas de pendurar no pescoço, perdeu vários óculos, alguns de maneiras muito insólitas: uma vez, conseguiu derrubar os óculos na garagem de casa e passar com o carro em cima; de outra vez, prendeu a haste no vidro elétrico do carro e quebrou os óculos ao meio e de outra vez, ainda, derrubou dentro de um bueiro, na rua, mas este ele conseguiu resgatar.
Diz a lenda familiar que meu irmão, cegueta desde os três anos de idade, destruiu todos os óculos possíveis, já que naquela época as lentes eram de vidro endurecido e quebravam muito facilmente. Meus pais abriram uma conta na ótica, pois não davam conta do gasto com vários óculos por ano, até que ele criasse um pouco de juízo.
Eu mesma, andei em uma maré daquelas que fazem a gente desanimar; mal tinha acabado de pagar uns óculos bacanas, armação bonita e razoavelmente caro, quando derrubei-os no meio da rua e um ônibus, inclemente, esmigalhou o coitado sob o meu olhar angustiado. Pois mandei fazer outros óculos, parcelei em 500 vezes e, num descuido momentâneo, um bebê de um ano e meio praticamente amputou uma das pernas da armação. Os óculos só foram salvos pela imensa boa vontade da ótica e acho que por uma ajudinha de um anjo que se apiedou de mim, pois o caso era dado como perdido.
E para completar, juro que outro dia estava na Avenida 36 e passou por mim um motoqueiro com um cachorro sentado no tanque da moto e o danado (o cachorro) usava um capacete pequenino e óculos – preso com um elástico, creio que para proteger os olhos do bicho contra o vento. Fiquei tentada a copiar a tecnologia, mas confesso que a falta de um focinho quadrado inviabilizou a invenção...



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