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25 de outubro de 2010

I Bienal de Gravura de Araraquara homenageia Lívio Abramo

I Bienal de Gravura de Araraquara homenageia Lívio Abramo

O Teatro Municipal de Araraquara recebe de 25 de outubro a 24 de novembro obras de renomados gravuristas

Gravura: Ulysses Bôscolo de Paula



Ocorre no próximo dia 25 de outubro o início de um novo projeto cultural em artes visuais, realizado pela Prefeitura de Araraquara por meio da Secretaria Municipal da Cultura e Fundart: a 1ª Bienal de Gravura Lívio Abramo. O objetivo é homenagear este ilustre araraquarense, e promover a arte da gravura, apresentando e divulgando gravadores convidados e seus trabalhos.
A Bienal se destaca por trazer o nome de Lívio Abramo - gravador, desenhista e pintor brasileiro de renome internacional, que introduziu no Brasil a gravura moderna.
Para o prefeito Marcelo Barbieri, "a intensidade cultural de Araraquara pode ser observada pelos projetos desenvolvidos pela Prefeitura Municipal, por meio da Secretaria de Cultura e Fundart. A cada momento, as políticas públicas desta área são fortalecidas e as ações culturais se expandem e atingem toda a população araraquarense. Isso se potencializa quando talentos de nossa terra, almas emotivas e sensíveis como o artista Lívio Abramo, possuem um espaço de honra na memória e na história de nossa trajetória cultural".
A história da carreira de Lívio Abramo é um paralelo estreito com a maioria dos grandes nomes deste tempo ou do passado: uma vida cheia de lutas, atravessada por uma visão humana do mundo e um conhecimento profundo dos problemas sociais; uma consciência aguda das exigências técnicas de sua profissão; autodidata no seu aprendizado do essencial e ao mesmo tempo, entretanto, um grande mestre quando ensinava e transmitia aos outros os segredos do manejo do buril e da goiva.
O elemento marcante na obra de Lívio é o ritmo que imprime em todas as suas composições, ritmo que ora tende às ebulições e sinuosidades barrocas, ora a austera simetria das fachadas ou o jogo assimétrico de planos e volumes. O ritmo sempre esteve presente tanto em sua fase lírica quanto em sua fase de protesto juntando definitivamente dois pólos - forma e expressão.

Pré-abertura

A Bienal de Gravura Lívio Abramo terá a participação como pré-abertura no dia 25 de outubro do duo 6emeia, de São Paulo, com os artistas Leonardo Dellafuente e Anderson Augusto “São”, na segunda-feira, às 14 horas, na Praça Lívio Abramo, que é a praça onde está localizado o Teatro Municipal. Os artistas irão fazer intervenção, propondo uma matriz que será impressa, tendo como suporte a cidade. O público presente será presenteado com a gravura.
Depois de alguns anos pintando em bueiros, postes, tampas de esgotos e calçadas, o 6emeia agora olha e age sobre o asfalto da cidade. O grupo vê nele, um novo caminho, muito maior do que uma simples separação de duas calçadas.
“Assim como nossa pele é testemunha silenciosa de nossas mudanças e caminhos, o asfalto carrega em si todas as cicatrizes que uma outrora o progresso trouxe e causou”, apontam os artistas do 6emeia. Assim, realizam traços e curvas, passam tinta e tiram dali uma gravura, feita no asfalto, “carregada de fatos de ontem e com linhas e marcas intencionais de hoje”. O 6emeia transcende toda e qualquer regra sobre gravura, escrevendo um novo caminho, escrito sobre a pele da cidade e sob os pés de todos nós, com a técnica da Gravura sobre asfalto, impresso sobre tecido.

Para conhecer mais sobre o trabalho do 6emeia, acesse: http://www.6emeia.com/

Abertura oficial

A abertura oficial da Bienal de Gravura acontece no dia 28, quinta-feira, às 20 horas, no Teatro Municipal. A programação conta com a exposição: "Goeldi, Abramo e Grassmann", realizada pela Secretaria de Estado da Cultura, por meio do Sistema Estadual de Museus (SISEM-SP), em parceria com a ACAM Portinari e prefeituras do interior.
Até o início de 2011, a mostra, que já passou por São Simão, vai percorrer mais três cidades paulistas – Araraquara, Sertãozinho e Ribeirão Preto –, com obras de três artistas que são referência na gravura e nas artes gráficas brasileiras, Lívio Abramo (1903 - 1992), Oswaldo Goeldi (1895 - 1961) e Marcello Grassmann (1925).
O projeto, que teve início em São Simão - onde nasceu o artista Marcello Grassmann - é uma oportunidade de reflexão sobre as contribuições desses artistas para o cenário nacional das artes visuais e para a construção da identidade brasileira.
Com curadoria de Marcelo Guarnieri, a exposição é constituída por xilogravuras, gravuras em metal e desenhos em grafite e nanquim, totalizando 47 obras, e evidencia um recorte dentro da poética de cada artista: a solidão e as questões soturnas de Goeldi (9 gravuras na exposição), o mítico e a bestialização do homem nos trabalhos de Grassmann (22 gravuras) e o grafismo e contexto social presente nas obras de Abramo (16 gravuras) - algumas das características encontradas na exposição e em boa parte da produção realizada pelos artistas.
A mostra pode ser conferida no Teatro Municipal, de segunda a sexta, das 9h às 11h30, e das 13 às 17h. A entrada é gratuita.

Casa da Cultura

Além da exposição no Teatro Municipal, a Casa da Cultura Luiz Antônio Martinez Corrêa também é palco da Bienal de Gravura, onde estarão expostas obras de artistas convidados e a Sala Especial Lívio Abramo.
Com 26 artistas participantes – sendo quatro deles de Araraquara e um do Canadá – a exposição apresenta 70 obras, incluindo os trabalhos da Sala Lívio Abramo, com obras da Pinacoteca Municipal Mario Ybarra de Almeida.
"A 1ª Bienal da Gravura Lívio Abramo, recebe seu nome neste importante projeto cultural de nossa cidade. É um momento de reconhecimento deste artista e cidadão que possuía uma forte e profunda convicção no homem - humanismo – confirmada por suas ações e por suas opções artísticas”, explica a secretária municipal da Cultura, Euzânia Andrade. “Lívio apresentou ao longo do seu trabalho emoções e sentimentos do ser humano, não deixando dúvida quanto ao seu projeto de vida e sua preocupação em exprimir e revelar toda a angústia vivida pelo homem em sua produção estética. Sua proposta sempre foi em busca do desenvolvimento humano e essa Bienal é uma justa homenagem".
Tanto a exposição na Casa da Cultura como a do Teatro Municipal estão abertas para visitas agendadas por escolas ou grupos interessados. O agendamento pode ser realizado pelo fone: (16): 3333.1159.


Quem foi Lívio Abramo?




















Lívio Abramo nasceu em Araraquara, dia 26 de junho de 1903 e faleceu em Assunção (Paraguai) no 26 de abril de 1992.Foi um gravador, desenhista e pintor brasileiro de renome internacional.
O artista realizou suas primeiras gravuras em 1926 quando, bastante influenciado pelos temas humanos e sociais do expressionismo europeu, introduziu no Brasil a gravura moderna.
Lívio é parte de uma família muito influente na arte, na imprensa e na política brasileira. Filhos de pais italianos, Lívio e seus irmãos e irmãs - Athos, Fúlvio, Beatriz, Lélia, Mário e Cláudio - cresceram em um ambiente especial e tornaram-se artistas, jornalistas e intelectuais, cujas contribuições foram importantes para o ambiente cultural brasileiro.
Lívio foi casado com Anna Stefania Lauff, filha do militante comunista húngaro Rudolf Josip Lauff, membro do Exército Vermelho da URSS.
Lívio queria ser arquiteto, mas por motivos de ordem econômica – com a crise econômica de 1928-1929 - foi impedido de terminar seus estudos. Talvez tenha sido esse o motivo que tenha influenciado para que a arte da gravura tivesse compensado a sua frustração.
Lívio tornou-se artista por conta própria - autodidata, desenhava desde criança. Por volta dos 27 anos, ao deparar-se com uma exposição de gravuras dos expressionistas alemães, em São Paulo, sentiu a força de expressão das gravuras de Kathe Kollwitz e demais artistas, e despertou sua vocação.
“Em verdade, o gosto pela gravura começou a despontar em mim quando, ainda estudante, em casa de meus pais, eu admirava as vinhetas gravadas em madeira que ilustravam os poemas de um famoso poeta italiano, e de autoria de um gravador de nome De Károlis”, comenta o artista em artigo do site pitoresco http://www.pitoresco.com.br/
A preocupação com a justiça social acompanhou Livio desde sempre, levando-o, ainda jovem, a militar no Partido Comunista, a interessar-se pelo Trotskismo e pelo socialismo. Nessa época colaborava fazendo ilustrações para tablóides sindicalistas. Em 1932, foi expulso do Partido Comunista, acusado de trotskismo.
O reconhecimento artístico chegou mais tarde, aos 47 anos de idade, quando suas xilogravuras alcançaram um grau de depuração técnica e ao mesmo tempo uma riqueza impressionante de detalhes. Suas xilogravuras eram extremamente precisas em todos os aspectos.
Livio ganhou prêmios, como o de viagem ao exterior do Salão Nacional de Belas Artes, em 1950, com as 27 ilustrações para o livro "Os Sertões", de Euclides da Cunha. Também ganhou o 1º Prêmio de Gravura Nacional da 2ª Bienal de São Paulo, em 1953. O artista também possui algumas honrarias, como a ordem do Rio Branco.
Conheceu Oswald de Andrade, Tarsila do Amaral, pela qual nutria enorme admiração e admitiu ter sido influenciado intelectualmente e por sua obra. Foi aconselhado, em início de carreira, pelo pintor Lasar Segall. Era amigo de Portinari, Bruno Giorgi, entre outros importantes artistas.
Imprimiu em seu trabalho - gravuras, desenhos, charges, design de objetos, textos críticos, aulas, curadoria de exposições – a energia que não lhe faltava. Lívio Abramo interagiu não somente na realidade cultural brasileira, como também em outra realidade: a paraguaia, onde atuou metade da sua vida.
No Brasil, foi desenhista, jornalista, gravador. Com Maria Bonomi, uma de suas alunas, fundou o Estúdio Gravura, onde também lecionava. De acordo com Lélia Abramo, o Estúdio Gravura foi uma de suas mais importantes realizações.
No final da década de 50, Abramo foi convidado a integrar a Missão Cultural Brasil Paraguai. O artista visitou Assunção pela primeira vez em 1956 e apaixonou-se pela paisagem paraguaia. Em 1961, recém-aposentado como redator do jornal o Estado de São Paulo, instalou-se definitivamente em Assunção, como responsável pelo setor de arte do Centro de Estudos Brasileiros - CEB. O fato de estar em Assunção deu a Lívio certa mobilidade dentro do continente. Tornou-se conhecido e respeitado no meio acadêmico e cultural Paraguaio e latino-americano.
Lívio Abramo realizou várias mostras no Paraguai e em países da América do Sul - Uruguai (Montevidéu), Bolívia (La Paz), Argentina (Buenos Aires), México (Cidade do México) - entre outros.
Abramo foi um homem que não se curvou diante das dificuldades e, mesmo quando a vida não lhe dava motivos para sorrir, não deixava de acreditar na possibilidade de transformar o mundo.


Confira os artistas participantes da Bienal de Gravura Lívio Abramo:


Adriano Gambim Rocha (São Paulo-SP)
Ana Alice Francisquetti (São Paulo-SP)
Angela Leite (Rio de Janeiro-RJ)
Augusto Sampaio (São Paulo-SP)
Claudio Caropreso (São José dos Campos-SP)
Constança Lucas (São Paulo-SP)
Eduardo Garofalo (Guarulhos-SP)
Fernando Monteiro de Barros (São Paulo-SP)
Francisco José Maringelli (São José dos Campos-SP)
Gorgia Volpe (Quebec-Canadá)
Gustavo Lucatelli (Sorocaba-SP)
Isabel Ayres (São Paulo-SP)
Marcelo Gandhi (São Paulo-SP)
Leonardo Dellafuente (São Paulo-SP)
Marcio de Andrade Pannunzio (Casa Branca-SP)
Marcos Paulo Feliciano (Guarulhos-SP)
Maria Batista (Araraquara-SP)
Marilu Trevisan (Piracicaba-SP)
Mauricio Vera Morales (São Carlos-SP)
Mazzon Gil (Araraquara-SP)
Paula Sotratto Zacaro (São Paulo-SP)
Nanda Ribeiro (Araraquara-SP)
Sergio A. Ferreira (São Paulo-SP)
Sílvia Ruiz (São Paulo-SP)
Sueli Ferrers (Araraquara-SP)
Ulysses Bôscolo de Paula (São Paulo-SP)

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